Defender a auto-regulação e recusar os provedores?

(Não há ninguém que não defenda a auto-regulação; mas quando se trata de dar o primeiro passo...)

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domingo, Dezembro 05, 2004

Isto é um direito de resposta!

"Caso a publicação deste direito de resposta não siga, rigorosamente, as normas estabelecidas na lei, desde já se adianta que será pedida a intervenção das autoridades competetentes" *.
Quem assina este (excerto de um) texto é o director do 24 Horas na revista Pública de hoje.
Tudo por causa da entrevista de Pinto da Costa, na semana passada. O presidente portista denunciou o 24 Horas como estando a pagar por entrevistas (neste caso para dizerem mal da sua mulher).
O director do 24 Horas desmente tudo e diz mesmo que "o Público não se importa de publicar mentiras". Além de prometer resolver o caso no tribunal.
Curioso, nesta história, é o facto de Pedro Tadeu reclamar contra o facto de não ter sido ouvido antes da entrevista sair. É um velho dilema do jornalismo saber se, numa entrevista, há ou não mais flexibilidade quanto às regras do contraditório (por exemplo, se é em directo).
Manda o bom senso que, em casos de acusações com grande gravidade, e se não for em directo, seja contactado o visado previamente e, no limite, publicada a sua resposta na mesma edição. Uma semana depois não é a mesma coisa.
Esteve mal o Público, penso.

* Sabendo-se que a generalidade dos OCS lida mal com os direitos de resposta (o Público até é uma excepção), é irónico que seja um jornalista a exigir o cumprimento integral desse... direito a outro jornal!
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Os famosos critérios de notícia

Pedro Santana Lopes contou, no seu discurso de abertura da pré-campanha eleitoral, na sexta-feira à noite, um caso que merece aqui uma pequena reflexão: a Lusa ("agência oficial do Estado", repetiu) ouviu Macário Correia, presidente da Câmara de Tavira, manifestar-se contra a liderança do actual presidente do PSD. A seguir outro autarca do Algarve terá contactado a Lusa para dar um depoimento em sentido contrário. Mas a Lusa recusou. E na linha ficou apenas a versão negativa.
O facto de, obviamente, desconhecer outros contornos desta história não me impede de deixar algumas notas:
1) Se todas as distritais apoiam PSL e também a esmagadora maioria dos presidentes de câmara, é óbvio que notícia é alguém não o apoiar; como seria o contrário...
2) O facto das distritais o apoiarem também é notícia. Outra. Noutro momento.
3) Não há qualquer obrigação jornalística de ouvir alguém apenas para compensar. O que não quer dizer que não se possa fazer se se entender que está em causa o equilíbrio necessário...
4) Na notícia em causa deveria ficar claro que Macário Correia é o primeiro ou o segundo a defender isto (se é o terceiro já não será notícia...) mas que a esmagadora maioria apoia PSL;
5) Já teria um entendimento diferente se o autarca que contactou a Lusa quisesse fazer declarações contra Macário Correia, contestando-o politicamente (por exemplo, denunciando eventuais incoerências ou revelando factos desconhecidos de carácter político, insisto); nesse caso poria as suas declarações no ar;
Percebeu-se?

7/12: Desenvolvimentos aqui!
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Duas frases que se casam bem...

"Em política não pode haver segredos"
Pedro Santana Lopes, 3/12 (discurso na Póvoa de Varzim)

"A velha máxima de que só poderemos entender os políticos se lhes olharmos para os pés e não para a boca continua a ser verdadeira"
Keane, John, "A democracia e os media", Temas e Debates, Lisboa, 2002, pág. 105
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