Defender a auto-regulação e recusar os provedores?

(Não há ninguém que não defenda a auto-regulação; mas quando se trata de dar o primeiro passo...)

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terça-feira, Fevereiro 22, 2005

Coisas que fascinam (50 e?)

20h50: Santana Lopes está em directo na SIC e anuncia, com dois dias de atraso, aquilo que, sobretudo, o PSD desejava - que sai, contra ventos e marés!
21h04: Monsenhor Mário Crespo na SIC Notícias: o anúncio da saída de Santana Lopes deve ser feito ainda esta noite, durante uma reunião da Comissão Política...
(entra peça gravada sobre as movimentações no PSD, nomeadamente a última criação de LFMeneses)
21h06: Monsenhor Mário Crespo de volta: "literalmente" (sic) há minutos Santana Lopes acabou de anunciar que não se recandidata.
(O meu livro de estilo impede-me de fazer comentários...)
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A ténue fronteira entre informação e marketing

É obviamente um exercício simbólico, mas veja-se este caso, que mostra - penso eu - a diferença entre jornalismo e marketing, entre o rigor das notícias e a "liberdade" da publicidade.
Na Rádio Renascença, mal acabam os noticiários, há duas frases que se ouvem regularmente e que são puro marketing:
- "As notícias voltam às três ou a qualquer momento"
- "Estas e outras notícias em www.rr.pt"
E são marketing porque é, no primeiro caso, extraordinariamente raro a RR dar notícias "a qualquer momento"; no segundo, uma formulação como aquela diz que todas as notícias estão na página on line (além de outras). Estão mesmo todas? Correcto seria - por absurdo - "algumas destas notícias" ou "quase todas...".
O jornalismo apresenta-se rigoroso aos ouvintes; o marketing/publicidade não tem de ser comprovado.
O mais importante é isto: fará o ouvinte a distinção?

ACTUALIZAÇÃO a 23/2/05: nem por acaso, mais um exemplo da ténue fronteira!
Hoje de manhã, passou uma entrevista que fiz ao estratego da campanha de José Sócrates. Luís Paixão Martins contou algumas coisas bem interessantes, de uma área que é sempre desconhecida e, por isso, atractiva - os bastidores. O facto de ser raro (não digo inédito) ouvir quem tenha coragem de contar algumas dessas coisas e alguma curiosidade à volta da recente campanha vencedora foram os argumentos jornalísticos que justificaram a entrevista. Luís Paixão Martins saiu valorizado e a sua empresa pode beneficiar? Sim, da mesma forma que a Jordan passou a ter muito mais notoriedade depois de ter contratado um piloto português, que as empresas lutam por entrar no índice bolsista PSI20 (por causa da visibilidade/notoriedade) ou que este fim de semana a Guarda vai, provavelmente, receber muito mais turistas, por termos divulgado que tem estado a nevar...
Quem é que disse que nas notícias negativas só uma parte é que ganha?

ACTUALIZAÇÃO a 24/2/05: Já agora... (Francisco José Viegas, hoje no JN)
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Marketing blitz!

Os jornais portugueses estão cada mais especializados em vender/oferecer produtos, mas na maior parte dos casos – quando estamos perante livros ou discos – são produtos requentados. Ou seja, as novidades ficam-se pelas páginas/notícias dos jornais; os extras do chamado “consent marketing” são antiguidades devidamente recuperadas...
Por tudo isto merece destaque o jornal Blitz que tem vindo a oferecer (a preços excelentes) produtos originais. Agora é o disco/livro dos Radio Macau. Um inédito, que é notícia!
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Isto é uma notícia ou um comentário?

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Não concordo!

Do Público de hoje (rubrica "Visto"):
"Já o que se viu e ouviu do dirigente socialista António Vitorino no início da folia vitoriosa do PS na noite de domingo é outra coisa. Perante a (natural) curiosidade dos jornalistas sobre se já haveria algum nome "ministeriável" na sua mente, o antigo comissário Europeu quis desde logo definir a relação entre jornalistas e o futuro Executivo, afirmando, num tom de papá que ameaça "tau-tau" a um filho rebelde: "O Governo do PS não será escolhido pela comunicação social nem na comunicação social!"
O que se compreende. Menos compreensível é o tom de voz irado, colérico, arrogante, já vociferado do alto do palanque do poder como quem não está para aturar "perguntazinhas idiotas", especialmente numa hora daquelas, em que António Vitorino saboreava a vitória. E depois a cereja em cima do bolo: "Isso é uma crítica?", atira uma jornalista. "Habituem-se!", respondeu Vitorino com uma frieza muito determinada. Cuidado!"


E não concordo porque:
1) não acho nada... natural aquilo que o jornalista do Público diz ser «a (natural) curiosidade dos jornalistas sobre se já haveria algum nome "ministeriável" na sua mente». Na noite da vitória? Já se viu em algum sítio? Uma coisa é a curiosidade outra o trabalho jornalístico!
2) Acho muito bem que alguém com responsabilidades diga que "O Governo do PS não será escolhido pela comunicação social nem na comunicação social!" Há espectáculos recentes deprimentes. Assim, Vitorino consiga cumprir...
3) Finalmente, porque combato o falso corporativismo e recuso as promiscuidades, saúdo o "habituem-se" se ele representar uma forma mais saudável de estar no jornalismo.
O que um texto como este mostra é que os jornalistas-calimeros ficam eriçados quando alguém lhes faz frente (mesmo num caso simbólico como este)...

ACTUALIZAÇÃO a 24/2/05: vale a pena complementar com esta leitura.
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Libertem os bloggers (bloguistas?)

(obrigado Andreia)
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