É obviamente um
exercício simbólico, mas veja-se este caso, que mostra - penso eu - a diferença entre jornalismo e marketing, entre o rigor das notícias e a "liberdade" da publicidade.
Na Rádio Renascença, mal acabam os noticiários, há duas frases que se ouvem regularmente e que são puro marketing:
- "
As notícias voltam às três ou a qualquer momento"
- "
Estas e outras notícias em www.rr.pt"
E são marketing porque é, no primeiro caso, extraordinariamente raro a RR dar notícias "a qualquer momento"; no segundo, uma formulação como aquela diz que todas as notícias estão na página on line (além de outras). Estão mesmo todas? Correcto seria - por absurdo - "algumas destas notícias" ou "quase todas...".
O jornalismo apresenta-se rigoroso aos ouvintes; o marketing/publicidade não tem de ser comprovado.
O mais importante é isto:
fará o ouvinte a distinção?ACTUALIZAÇÃO a 23/2/05: nem por acaso, mais um exemplo da ténue fronteira!
Hoje de manhã,
passou uma entrevista que fiz ao estratego da campanha de José Sócrates. Luís Paixão Martins contou algumas coisas bem interessantes, de uma área que é sempre desconhecida e, por isso, atractiva - os bastidores.
O facto de ser raro (não digo inédito) ouvir quem tenha coragem de contar algumas dessas coisas e
alguma curiosidade à volta da recente campanha vencedora foram os argumentos jornalísticos que justificaram a entrevista. Luís Paixão Martins saiu valorizado e a sua empresa pode beneficiar? Sim, da mesma forma que a Jordan passou a ter muito mais notoriedade depois de ter contratado um piloto português, que as empresas lutam por entrar no índice bolsista PSI20 (por causa da visibilidade/notoriedade) ou que este fim de semana a Guarda vai, provavelmente, receber muito mais turistas, por termos divulgado que tem estado a nevar...
Quem é que disse que nas notícias negativas só uma parte é que ganha?ACTUALIZAÇÃO a 24/2/05:
Já agora... (Francisco José Viegas, hoje no JN)