Defender a auto-regulação e recusar os provedores?

(Não há ninguém que não defenda a auto-regulação; mas quando se trata de dar o primeiro passo...)

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sexta-feira, julho 07, 2006

ACT Como uma grande notícia passa ao lado...

Esta manhã, ao acordar, os portugueses tinham duas notícias relevantes nos noticiários das rádios nacionais: os milhões que o fisco deixou de cobrar e o adeus de Scolari (exclusivo do Record). Às oito, nomeadamente, esta notícia não teve grande destaque. Depois, às nove, tive o cuidado de varrer com atenção os noticiários da TSF, Antena 1 e RR, tal como os noticiários desportivos seguintes. E com excepção da Renascença (Bola Branca das 9h32), o assunto não mereceu o devido destaque (na RR, o representante de Scolari fazia uma espécie de desmentido).

A menos que eu esteja muito confuso, e não perceba nada disto, neste contexto de actualidade, a saída de Scolari, depois de tantas juras de amor eterno, é notícia de primeira página em qualquer noticiário. Mas, estranhamente, não lhe foi dada uma importância proporcional. Nem de perto nem de longe.

Pensei em algumas explicações e só encontrei uma: os jornalistas com responsabilidade de edição esta manhã na RR, TSF e ANtena 1 acharam que a notícia não tinha credibilidade.

Pois, se foi assim, acho que fizeram muito mal.
Primeiro, a notícia está escrita de forma inequívocafará amanhã o seu jogo de despedida»; «deverá dizer que vai abdicar de continuar»; «a decisão estará tomada») e apresenta vários argumentos que - vou arriscar - só podiam ter sido dados por Scolari ou por alguém, por ele;
Segundo, a notícia é manchete do Record. Nenhum jornal arriscaria fazer uma manchete como desta, neste contexto, se não tivesse a certeza (isto é, se a certeza não lhe tivesse sido dada...);
Terceiro, e mais importante: a notícia foi escrita por José Carlos Freitas. Não estamos a falar de um jornalista qualquer da redacção do Record, mas do jornalista mais bem informado sobre a selecção nacional de futebol, antigo assessor de imprensa da Federação. Lembram-se quando a lista dos convocados para o Mundial foi divulgada três ou quatro dias antes em exclusivo pelo Record? Foi José Carlos Freitas quem assinou. E acertou em cheio.
É preciso dizer mais alguma coisa?

ACT: «Desminto categoricamente essa notícia» disse há algumas horas Gilberto Madail. Mas Madail não pode desmentir uma notícia da qual nada sabe. Quando muito pode desmentir que haja uma reunião entre ambos na terça. Por isso me parecem mais acertadas as noticias do Mais Futebol ou do próprio Record (curiosamente muito iguais), no sentido em que o jornalista não é o mesmo que retransmitir o que é dito. Jornalista é avaliar, interpretar, seleccionar, contar. Se fosse apenas para retransmitir não era preciso... jornalistas!
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segunda-feira, julho 17, 2006

O Record, Scolari e nós (I)

Scolari fica e o Record enganou os seus leitores. Em nome da credibilidade do jornalismo português gostaria que o Record tivesse tido razão. Mas o jornal enganou-se e enganou os seus leitores. Eu sinto-me enganado. Mais: estou convencido de que aquela notícia teve um efeito manipulador: consciente ou inconscientemente serviu o interesse de Scolari (servia o de mais alguém?), mas não serviu o interesse do Record nem o dos seus leitores
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O Record, Scolari e nós (II)

Choca-me um erro tão «esperado» (várias pessoas me disseram que estava a ser ‘burro’, tomando a defesa do jornal neste caso, quando já se percebia que seria ao contrário) mas choca-me também o desrespeito do jornal perante os seus leitores – o que fez o Record no sábado? Escolheu o canto superior direito e anunciou «Scolari mais dois anos» e José Carlos Freitas (JCF) escreveu uma pequena nota chamada «A verdade» a dizer que naquele momento em que a escreveu a notícia era verdadeira (e que ainda bem que se enganou). Nada mais. Nem um pedido de desculpas, nem uma abordagem por parte da Direcção, nada. A explicação de JCF não me satisfaz.
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domingo, julho 09, 2006

ACTx2 Não quero crer, mas aguardo para ver

Nunca mais lerei o Record da mesma forma se isto (não) for assim.
Sobretudo, como já se diz, se a notícia tiver servido para outros objectivos. (via Clube de Jornalistas)

ACT a 10/7/06: José Carlos Freitas no Record de hoje (pág. 9): «as possibilidades do treinador se manter são cada vez mais remotas».

ACT a 14/7/06: no Record de hoje: « Madaíl deverá apresentar na reunião da direcção da FPF os princípios de um possível acordo com Scolari (...)». Eis o que me parece nesta altura: a concorrência há vários dias que dá como certa a continuidade de Scolari, o Record hesita...
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segunda-feira, julho 17, 2006

O Record, Scolari e nós (III)

A explicação de JCF não me satisfaz nem acho que, ao contrário do que diz, a notícia, naquele dia, fosse verdadeira. Porque:
- antes e nos dias seguintes vários jornais (a começar por O Jogo) deram a notícia ao contrário. A culpa foi minha que acreditei no Record, mas a notícia naquele dia já não era verdadeira (analisando as declarações de Madaíl percebe-se melhor);
- a notícia não estava escrita em função de um dia, mas de vários dias, antes e depois (e era muito definitiva);
- três dias depois, JCF escrevia que «as possibilidades de o treinador se manter são cada vez mais remotas»; repito, três dias depois, quando já se percebera que só o Record tinha essa informação e que todos os outros jornais garantiam o contrário. Estavam errados?
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quinta-feira, novembro 08, 2007

Quando credibilidade era sinónimo de jornalismo

Antigamente dizia-se que a credibilidade era o maior património que um jornalista podia ter.

Talvez já não seja assim, tal a facilidade com que alguns jornalistas insistem em transmitir informações falsas, sem que isso tenha qualquer consequência.

Hoje no Record pode ler-se que «Pepe e Makukula ficam de fora»; como se sabe os dois jogadores foram convocados por Scolari.


PS - Estou zangado com o Record há mais de um ano; porquê?
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